Escuteiros de Óbidos praticam solidariedade com vítimas de incêndio

15 de Dezembro

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Mais de 40 escuteiros de Óbidos e alguns dos seus pais concentraram-se pelas 20h30 do passado dia 15 Dezembro, junto ao Santuário do Senhor da Pedra. Em seguida partiram num autocarro do Município e na carrinha deste agrupamento escutista rumo à Associação de Vila Pouca, no concelho de Santa Comba Dão, onde pernoitaram.

Na manhã de sábado seguinte, em Alvarim, povoação a poucos quilómetros, mas já no concelho de Tondela, os escuteiros mais novos foram convidar para a ceia desse dia, pessoalmente, os habitantes daquela povoação que muito sofreram com os incêndios de há dois meses. Os escuteiros mais velhos foram fazer uma ação de serviço que tinha sido previamente combinada com a Junta de Freguesia, a qual selecionou uma das situações mais críticas e urgentes ainda por resolver ou minimizar. Tratou-se de limpeza de entulhos resultantes do grande fogo do passado dia 15 de outubro, o qual destruiu, designadamente nesta povoação, habitações e aviários de frangos. Estes prejuízos foram agravados pela recente tempestade Ana. Foi trabalho braçal para quem o costuma fazer mais na forma intelectual, o que é educativo! Os beneficiários deste serviço sabiam que os escuteiros tinham farnel para lhes servir de almoço, mas ficando tão contentes com o trabalho dos escuteiros, que logo prepararam um almoço numa adega que sobreviveu ao incêndio e foram mais uns momentos de agradável convívio.

Durante a tarde de sábado, foi a preparação do jantar, incluindo a sua animação. Os escuteiros estavam repartidos por equipas de logística (incluindo intendência), animação e imaginário. Também, o motorista do autocarro camarário, Paulo Afonso, fez questão de ajudar na confeção do jantar.

Uns dias antes, em Óbidos, tinha havido uma angariação de fundos e de bens alimentares que resultou da generosidade de escuteiros, familiares, amigos e de algumas empresas. Tudo o que foi utilizado no jantar partilhado com mais de 100 pessoas da aldeia, designadamente bacalhau, batatas, hortaliças, azeite, enlatados, compotas, café, vinho, sumos… foi levado de Óbidos.

Antes do jantar, os escuteiros de Óbidos participaram na animação da missa paroquial, na igreja local, que estava cheia de pessoas. Foi muito apreciada nomeadamente a participação musical dos escuteiros. Numa terra onde a grande maioria da população é idosa, a presença de juventude foi bastante apreciada.

Na ARCA – Associação Recreativa e Cultural de Alvarim, o jantar solidário, partilhado com a população, iniciou-se com tostas com paté de delícias do mar e azeitonas (também oferecidas por uma empresa). Seguiu-se uma deliciosa sopa acabada de confecionar e, depois, o tradicional prato de bacalhau. Como sobremesa, houve bolos rei, vários doces (estre os quais arroz doce) e fruta de Óbidos.

No final do jantar, os escuteiros de Óbidos proporcionaram um interessante programa de animação e depois ofereceram um cabaz de Natal a cada família presente que teve prejuízos com o grande incêndio de 15 de outubro.

No Domingo, os escuteiros de Óbidos voltaram a conviver com a população de Alvarim e fizeram diversos jogos.

Após o regresso, a Junta de Freguesia local enviou para Óbidos, via correio eletrónico, agradecimento pela “disponibilidade, simpatia e solidariedade manifestada pelos escuteiros de Óbidos para com as gentes daquela terra neste fim de semana”. Acrescentou a Junta de Freguesia “foi muito bom para todos nós, o sentimento de partilha solidária verificada através de troca de experiências vivenciadas pelo Agrupamento dos Escuteiros de Óbidos, partilhando factos, sentimentos e expetativas”. Prossegue assim a comunicação da Junta de Freguesia: “Importa também reafirmar que todo o carinho manifestado pelo agrupamento de escuteiros de Óbidos, será extensivo a todos os agregados familiares que por uma ou outra razão não puderam estar presentes no sábado, 16 de Dezembro, na Gala dos Sorrisos, confirmando a entrega das lembranças a essas mesmas pessoas.”

Esta atividade de Natal dos escuteiros de Óbidos tinha como objetivo, através da educação não formal, proporcionar, designadamente às crianças e aos jovens, uma melhor compreensão dos reais problemas das pessoas afetadas pelos incêndios e dar um modesto contributo para ajudar a ultrapassar a ainda difícil situação que muitas famílias vivem.