Paróquias de Óbidos e de Santa Isabel, em Lisboa, partilharam realidades distintas

A experiência da «Paixão na liturgia e na pastoral» em diferentes paróquias

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A Jornada de Estudos Bíblicos da Faculdade de Teologia, da Universidade Católica Portuguesa, encerrou no passado dia 2 de Março com a mesa redonda ‘as narrativas na liturgia e na pastoral’, que apresentou o exemplo das paróquias de Óbidos e de Santa Isabel.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos explicou que, desde 1603, há registo da procissão dos Passos que ao longo da história tem “altos e baixos”.

Carlos Orlando recordou que tiveram de pesquisar para recuperar as vivências, de acordo com a “tradição oral e apontamentos”, e como iam auxiliar o pároco para que as leituras da Paixão “tivessem outro eco na comunidade”.

Para o responsável elencou que as várias procissões começam com a da Ordem Penitencial de São Francisco, que se realiza também em Mafra, no primeiro domingo da Quaresma, para “alertar a comunidade que se aproxima um período reflexão”; em Óbidos são nove andores, na conhecida por “procissão da rapaziada”, e que conta com o sermão de um frade Franciscano.

O provedor destaca que as celebrações têm um “grande peso turístico” e para o pároco de Óbidos a Semana Santa é uma oportunidade pastoral porque assistem “não só católicos”.

Carlos Orlando destacou ainda a Procissão dos Passos, preparada de véspera com a Procissão da Mudança feita em “silêncio e sem luz”, na escuridão que “origina que pessoas apareçam aos milhares”, e a Procissão do Enterro onde a comunidade também “proporciona um ambiente de reflexão”.

O padre Ricardo Figueiredo, há apenas cinco meses nestas igrejas, acrescentou que tentam “inovar” e vão propor uma conferência de introdução na Semana Santa para “ajudar a refletir sobre as celebrações” que estão a viver.
Da Paróquia de Santa Isabel, em Lisboa, foi apresentado o desafio de em cada Quinta-feira Santa o altar, Mesa da Eucaristia, mudar a disposição da igreja.

A secretária do Conselho Pastoral explicou que prolongaram o Altar numa grande mesa de refeição que atravessa a Igreja ao longo da assembleia e os bancos ficam virados para o corredor central.

“No fim da transladação do Santíssimo todos são chamados a partilhar o pão ázimo e o vinho, frutos secos e ervas amargas”, disse Leonor Cardoso.

Já Rita Assunção, do grupo sóciocaritativo de Santa Isabel, recordou que em 2013 o pároco desafiou as famílias a fazer “o pão ázimo para a Missa da Ceia do Senhor” e foi dada uma receita específica.

“As experiências foram levadas a concurso para escolher duas famílias para fazer o pão com respeito pela receita e a textura porque é distribuído na mão e não pode esfarelar”, assinalou.

“Somos constituídos interlocutores da Palavra que escutamos e também comensais. O pão eucarístico é distribuído com cuidado”, observou ainda o pároco, o padre José Manuel Pereira de Almeida.

O professor Juan Ambrósio, da Universidade Católica Portuguesa, explicou que a vivência das narrativas da Paixão ajudam “a viver e a narrar” a experiência crente nas comunidades como as que foram apresentadas em paróquias distintas do Patriarcado de Lisboa.

Agência Ecclesia