“Sentimos que parte de Josefa regressava a casa”

Novo Banco cede quadro de Josefa d’Óbidos ao Município de Óbidos

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O Novo Banco e o Município de Óbidos assinaram ontem, 08 de Novembro, no Museu Municipal de Óbidos, um protocolo para a cedência da obra “Natureza morta com cesto de folares, flores e pano bordado”, de Josefa de Óbidos, pertencente à Coleção de pintura do Novo Banco. Esta obra, que tem a particularidade de a assinatura da pintora ser somente “Óbidos”, fica agora depositada nesta vila.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Óbidos afirmou que “quando este Município foi contactado por parte do Novo Banco relativamente à obra que aqui recebemos, foi com muito agrado que aceitámos este empréstimo”. “Sentimos que parte de Josefa regressava a casa”, confessou José Pereira, garantindo que a “obra que vai ser mote para desenhar um trabalho pedagógico, por parte do serviço educativo [do Museu Municipal], à volta desta grande pintora”.

“Juntar num único local, o maior número de obras desta pintora, do seu pai, Baltazar Gomes Figueira, e dos seus contemporâneos, é um objetivo que este serviço ambiciona”, revelou José Pereira. Por isso, “na eventualidade de o Novo Banco ter outras obras que pudessem complementar esta, seria com todo o gosto e de braços abertos que as recebíamos”, apelou o autarca.

Por seu lado, António Ramalho explicou que “há 282 dias iniciou-se este projeto de trazer para vários locais do País a arte que possuíamos no Novo Banco”. O CEO desta instituição bancária afirmou que “o conjunto de obras que o Novo Banco possuía não trazia a homogeneidade que esta distribuição pelo País traz”. António Ramalho revelou que “só na Região Centro, este é o quarto museu onde conseguimos trazer as obras adequadas [a cada localidade] ”. “Este quadro só podia estar aqui”, concluiu.

Recorde-se que Josefa de Óbidos, uma das poucas e mais importantes mulheres pintoras do século XVII em Portugal, consegue, na sua obra, integrar e interpretar, com uma linguagem plástica muito própria, o espírito e estética do Barroco. Forma-se na oficina do pai, Baltazar Gomes Figueira, e trabalham em conjunto um repertório comum para determinados temas, como as naturezas mortas.

Com este protocolo, e desde Janeiro, são já 19 as obras de grande relevo cultural colocadas em exposição permanente em 11 museus nacionais de várias regiões do País, desde Castelo Branco, Guarda, Guimarães, Caldas da Rainha, Figueiró dos Vinhos, Lisboa, Viseu, Torres Novas e agora em Óbidos.