“Só com intervenção humana este ecossistema se vai perpetuar no tempo”

Dragagem do corpo superior da Lagoa de Óbidos

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O concurso para a Empreitada das Dragagens da Zona Superior da Lagoa de Óbidos foi lançado ontem, dia 5 de fevereiro, na Foz do Arelho, Caldas da Rainha, com a presença do ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, dos presidentes das Câmaras Municipais de Óbidos e Caldas da Rainha, Humberto Marques e Tinta Ferreira, e do presidente da Agência Portuguesa de Ambiente, Nuno Lacasta.

O ministro do Ambiente garante que “é absolutamente fundamental fazer esta dragagem”, reafirmando que o ministério está, com esta empreitada, “a lutar contra a Natureza”. Segundo Matos Fernandes, “a atividade humana também é geradora de biodiversidade, quando resulta das atividades que são feitas de forma tradicional”. “A Lagoa de Óbidos necessita desta intervenção e ela tem de ser feita de forma cuidadosa”, afirma o governante, sublinhando que o Governo continuará “a financiar uma boa parte destas intervenções” e disponibilizará “todo o apoio técnico”, delegando nas autarquias a execução das dragagens de menor dimensão.

Também o presidente da Câmara Municipal de Óbidos se mostrou satisfeito com o lançamento deste concurso internacional. “É com enorme gosto, orgulho e alegria que, volvidos mais de 20 anos, chegámos àquilo que todos desejávamos”, disse Humberto Marques, garantindo que “só com intervenção humana este ecossistema se vai perpetuar no tempo”. O autarca mostrou ainda alguma preocupação “com a monitorização e fiscalização da obra, nomeadamente da qualidade dos sedimentos e da água [a retirar]”. “Garantiram-nos que tudo será feito com o máximo de segurança e, por isso, estamos mais descansados”, declarou.

O presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Tinta Ferreira, afirmou igualmente que, com esta empreitada, “se está a fazer história”, uma vez que se estão “a criar condições de curto e médio prazo para garantir a sobrevivência da Lagoa de Óbidos”.

Já Nuno Lacasta, presidente da APA, também afirmou que se vai “fazer história” na “nossa Lagoa”, sublinhando que tem “perfeita consciência da complexidade desta operação e que isso obriga a uma completa e constante vigilância”.

Com um custo total de 16 milhões de euros, a intervenção é financiada pelo POSEUR, com uma participação de 85 por cento, sendo a contrapartida nacional assegurada pela Agência Portuguesa do Ambiente. O prazo de execução previsto é de 18 meses e a intervenção corresponde à segunda fase de dragagens da Lagoa de Óbidos.

Está prevista a retirada de 875 mil metros cúbicos de areias das bacias no delta do rio Real, no braço da Barrosa e nos canais de ligação do corpo da lagoa, aos braços da Barrosa e do Bom Sucesso. Os sedimentos dragados serão depositados diretamente no mar, a sul da embocadura da Lagoa de Óbidos e do Gronho, contribuindo, desta forma, para a minimização da erosão costeira, neste troço de costa. A empreitada inclui ainda a valorização de uma área de 78 hectares, a montante da foz do rio Real.

Pretende-se com esta intervenção contrariar o fenómeno de assoreamento, melhorar as condições hidrodinâmicas e de qualidade da água no interior deste sistema lagunar, bem como robustecer o cordão dunar litoral, que protege a lagoa da agitação marítima e da subida do nível do mar, em consequência das alterações climáticas.