Alunos do Complexo Escolar do Alvito foram biólogos por um dia

Projecto Peixes Nativos

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Após a celebração de protocolo com o ISPA, Águas do Tejo Atlântico e Município de Óbidos, decorreu já uma das sessões previstas com a escola aderente: turma do 4º ano do Complexo Escolar do Alvito, no âmbito do projecto Peixes Nativos.

A primeira sessão decorreu no passado dia 12, em sala de aula, onde a coordenadora do projecto, Carla Sousa Santos, fez o enquadramento do projecto, destacando a importância das espécies de peixes nativos que vivem nos rios da região, quais as suas ameaças e o que todos podemos fazer para os preservar. Realizaram-se alguns jogos pedagógicos com os alunos, o que lhe permitiu ficar a perceber a importância da biodiversidade dos ecossistemas ribeirinhos e do seu equilíbrio e foram ainda distribuídos junto da turma aderente (professora e alunos) alguns materiais de divulgação sobre o projecto e os Peixes Nativos da região.

Nesta sessão, para além da professora titular e dos alunos da turma, estiveram presentes a coordenadora do 1º ciclo, para além de duas alunas do ISPA e dos restantes parceiros deste projecto (Sara Duarte em representação da Águas do Tejo Atlântico e Sara Moreira, em representação da Associação PATO).

A segunda sessão realizou-se no passado dia 18, junto ao rio Arnóia (a jusante da barragem), para monitorização científica dos peixes nativos desta bacia, durante a qual os alunos da turma aderente tiveram oportunidade de ser biólogos por um dia, medindo e pesando as espécies capturadas durante uma sessão de pesca eléctrica realizada pelas biólogas do ISPA. Coordenada por Carla Sousa Santos, a saída de campo contou com a colaboração da Associação PATO e das alunas do ISPA.

Peixes Nativos, um projeto de educação ambiental desenvolvido em parceria

Os peixes de água doce constituem um dos grupos taxonómicos mais ameaçados em Portugal, estando mais de metade das espécies nativas em risco de extinção devido a fortes pressões de origem antropogénica, agravadas pela escassez de água decorrente das alterações climáticas globais. A maior parte destes peixes pertence a espécies endémicas com elevada categoria de ameaça praticamente desconhecidas da população.

No sentido de contribuir para inverter esta realidade, em 2017, o Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida – ISPA e a Águas do Tejo Atlântico, desenvolveram um protocolo de parceria, criando o Projecto Peixes Nativos, com o apoio institucional do MARE – Centro de Ciências Marinhas e Ambientais, Aquário Vasco da Gama, ICNF – Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas e Pavilhão da Ciência – Ciência Viva.

Um projecto de Educação Ambiental que tem como finalidade promover a literacia ambiental no que respeita à conservação e preservação dos peixes de água doce nativos, na sua maioria ameaçada, existentes na área de concessão da Tejo Atlântico. Para além da vertente educativa, que inclui a dinamização de actividades de sensibilização junto das populações locais, o projecto envolve trabalhos de monitorização científica do estado dos peixes existentes na bacia hidrográfica das Ribeiras do Oeste, sempre com o objectivo de preservar os habitats ribeirinhos e a sua biodiversidade, enquanto património natural único e de valor inestimável que representam.

A sensibilização da comunidade escolar tem sido um dos eixos fundamentais para a evolução deste projecto. Os alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico das escolas participantes têm a oportunidade de conhecer os detalhes do projecto em sala de aula, deslocando-se depois ao rio próximo da sua escola, onde colaboram no trabalho de campo ao executarem as tarefas usuais de um biólogo na monitorização científica dos habitats fluviais e respectiva fauna piscícola. Finalmente, os alunos processam os dados recolhidos e apresentam o projecto às restantes turmas, às suas famílias e à comunidade local.

O projecto conta já com a participação mais de 300 alunos de 13 escolas dos concelhos de Óbidos, Torres Vedras, Mafra, Oeiras, Alenquer, Sintra e Caldas da Rainha. Tratando-se de uma iniciativa faseada, está prevista a adesão de outros parceiros, criando uma rede mais alargada de Municípios e de Escolas “aderentes”, com vista à monitorização de todas as espécies de peixes nativas existentes nos pequenos rios e ribeiras da área de concessão da Tejo Atlântico.