George Coetzee procura dobradinha do European Tour

58.º Open de Portugal at Royal Óbidos de 17 a 20 de Setembro

84

O sul-africano George Coetzee persegue um feito inédito no European Tour, o de deter no seu palmarés os títulos do Portugal Masters e do Open de Portugal, os dois mais importantes torneios portugueses de golfe, ambos integrados em 2020 na primeira divisão do golfe profissional europeu. O Open de Portugal at Royal Óbidos começa hoje (Quinta-feira) e termina no próximo Domingo, estando previstas más condições meteorológicas. Ontem, quarta-feira, não se realizou o habitual Pro-Am, uma consequência do contexto de pandemia em que vivemos, estando o torneio sujeito a apertadas medidas sanitárias, de acordo com as normas do Programa de Segurança e Saúde do European Tour e também das diretrizes da Direção-Geral de Saúde.

George Coetzee venceu há duas semanas um torneio no Sunshine Tour, o seu 11.º troféu na primeira divisão sul-africana. Viajou na semana passada ao Algarve, onde já tinha averbado três top-10 em edições anteriores do torneio de Vilamoura, e conquistou pela primeira vez o Portugal Masters, o seu quinto título no European Tour. Essas duas semanas de inspiração valeram-lhe a subida ao 25.º lugar na Corrida para o Dubai e ao 85.º posto do ranking mundial, nada mau para quem era o 160.º posicionado antes desta série vitoriosa. «É uma nova semana, num novo campo de golfe. É um percurso que não conheço, mas estou a apreciá-lo. Espero conseguir mostrar mais alguma da magia portuguesa esta semana e arrancar outra (vitória), mas no golfe nunca se sabe», disse o sorridente jogador de 34 anos, que, desde que se casou este ano, está a obter alguns dos melhores resultados da sua carreira: «Se soubesse, ter-me-ia casado há mais tempo».

O norte-irlandês Michael Hoey foi o primeiro jogador a deter no seu palmarés dois títulos do European Tour em Portugal, ao vencer o Estoril Open de Portugal de 2009, no Oitavos Dunes, e o Madeira Islands Open BPI em 2011, no Porto Santo Golf, curiosamente, um campo desenhado pelo saudoso Seve Ballesteros, tal como este maravilhoso traçado de Royal Óbidos. De qualquer modo, uma “dobradinha” de George Coetzee teria mais impacto, sobretudo por (a acontecer) ser no mesmo ano e em semanas consecutivas.

Em 2020 o mais prestigiado evento da Federação Portuguesa de Golfe (FPG) elevou o seu total de prémios monetários para meio milhão de euros e subiu de estatuto, pois mantém-se como parte integrante do Challenge Tour, a segunda divisão europeia, mas regressa também ao calendário do European Tour, o escalão principal, algo que não acontecia desde 2017. Esta melhoria da sua cotação internacional trouxe, obviamente, melhores jogadores e George Coetzee é um profissional consagrado com um top-10 e outros dois top-20 em Majors, e ainda quatro top-20 em torneios dos World Golf Championships. Mas há outros nomes a ter em conta. A agência Lusa salientou terça-feira a presença de Wu Ashun, o chinês de 35 anos que conquistou três títulos do European Tour entre 2015 e 2018.

O European Tour, por seu lado, destacou o norte-americano Julian Suri, que em 2017 arrebatou um título da primeira divisão europeia na Dinamarca pouco tempo depois de ser-se sagrado vice-campeão do Open de Portugal, só superado pelo inglês Matt Wallace.

Em relação às estrelas do Challenge Tour, a Lusa frisou igualmente a presença de «três jogadores do top-5 da Corrida para Maiorca, entre os quais o líder, o alemão Marcel Schneider, o sul-africano Garrick Higgo e o sueco Anton Karlsson, 4.º e 5.º classificados, respetivamente».

Quanto ao próprio Challenge Tour, chamou a atenção para Tyler Koivisto, vencedor há duas semanas do Open da Irlanda do Norte, com a curiosidade de ter sido a primeira vez que disputou um torneio a contar para o ranking mundial. O norte-americano foi chamado à última hora para jogar na Irlanda e foi um inesperado vencedor. «Foi a melhor semana da minha vida em termos de golfe e disseram-me que com isso estava apurado para jogar o Open de Portugal», declarou o antigo professor de escola.

Há, no entanto, outros jogadores que ostentam algum palmarés interessante e que, de certa forma, procuram recuperar um passado recente de sucesso. O finlandês Roope Kakko, por exemplo, é ainda o campeão do Madeira Islands Open BPI, pois triunfou no Santo da Serra em 2015, a última edição desse torneio que era igualmente ‘dual ranking’ como este Open de Portugal.

O austríaco Martin Wiegele ganhou um título do European Tour em França há exatamente dez anos e conta com outras três vitórias no Challenge Tour.

E o galês Stuart Manley, que parece recuperado de uma demorada lesão, ganhou torneios do Challenge Tour em 2013 e 2018, já esteve na luta pelo título do Open de Portugal em 2017, ano em que perdeu no ‘play-off’ do KPMG Trophy na Bélgica, derrotado pelo português Pedro Figueiredo.

O Open de Portugal at Royal Óbidos encerra o novo ‘Iberian Swing’ do European Tour, que começou com o Estrella Damm N.A. Andalucia Masters, prosseguiu com o Portugal Masters e termina agora em Óbidos, por onde o histórico evento nacional nunca tinha passado. O francês Gregory Bourdy, que ganhou no Oitavos Dunes em 2008, é o único ex-campeão presente. É, por isso, provável que no dia 20 venha a ser coroado um novo campeão e porque não um português?

Nunca nenhum português venceu o Open de Portugal. Filipe Lima foi o que esteve mais perto, quando foi vice-campeão em 2018 no Morgado Golf Resort e 3.º classificado no Oitavos Dunes em 2005.

Em 2020 haverá 14 jogadores portugueses, a terceira maior participação de sempre depois dos 18 do ano passado, no Morgado Golf Course, em Portimão, e dos 15 em 2010 na Penha Longa, em Sintra.

Ricardo Santos, Pedro Figueiredo e Filipe Lima entraram diretamente com categorias do European Tour; Ricardo Melo Gouveia acedeu diretamente pelo seu estatuto no Challenge Tour; a Federação Portuguesa de golfe convidou o campeão nacional Tomás Bessa, Tiago Cruz, Vítor Lopes, Miguel Gaspar, Tomás Melo Gouveia, Alexandre Abreu, João Magalhães, Francisco Oliveira, Stephen Ferreira e o amador Pedro Lencart.

Note-se que o ex-campeão nacional Tomás Silva foi igualmente convidado pela FPG, mas declinou por opção de calendário, preferindo jogar um torneio do Alps Tour.

A grande novidade nesta lista de inscritos portugueses é Stephen Ferreira. Nascido e residente no Zimbábue, é português desde nascimento, só tem passaporte português, é o n.º3 nacional no ranking mundial e tem representado Portugal no Sunshine Tour, onde, na época passada (que terminou em março), tornou-se no primeiro português a fechar uma temporada no top-50 da Ordem de Mérito. Será a sua estreia em torneios portugueses do Challenge ou do European Tour.

O 58.º Open de Portugal at Royal Óbidos começou às 7h30 e o último grupo arranca às 14h35. Merece destaque o grupo das 13h55 de Ricardo Santos com o galês Jamie Donaldson, antigo vencedor de três torneios do European Tour.

Gabinete de Imprensa do Open de Portugal at Royal Óbidos

58.º Open de Portugal at Royal Óbidos (pdf)