“O nosso objetivo é reerguer e reabilitar o Aqueduto”

Apresentação pública dos resultados no âmbito da requalificação do Aqueduto

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“Pelo seu valor histórico, o Aqueduto [da Usseira] merece ser recuperado.” Esta foi a posição do presidente da Câmara Municipal de Óbidos manifestada hoje, 25 de Outubro, durante a apresentação pública dos resultados de um estudo preliminar que prevê a requalificação do Aqueduto. Filipe Daniel garantiu que “este executivo tem uma grande sensibilidade para com o Património” e, por essa razão, pretende avançar com a sua recuperação e reabilitação.

O autarca fez durante a apresentação – que contou com a presença do secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Carlos Miguel – uma cronologia de todas as diligências feitas em 2022 para que a recuperação do Aqueduto avance o quanto antes. Um processo que começou em Março, com reuniões na Direção-Geral do Património Cultural, em Julho, com um pedido de audiência com o ministro da Cultura e várias intervenções junto da CCDR Centro, com vista a captar fundos comunitários para a reabilitação, assim como a adjudicação do “relatório técnico preliminar de inspeção e diagnóstico estrutural” do Aqueduto, em Agosto.

“O nosso objetivo é reerguer e reabilitar o Aqueduto”, defendeu Filipe Daniel, revelando que “uma percentagem do valor da taxa turística de Óbidos servirá para fazer este tipo de intervenções, nomeadamente numa intervenção criteriosa da limpeza da componente vegetal que envolve o aqueduto”. “Queremos recuperar este monumento tão breve quanto possível, através de candidatura a fundos comunitários”, concluiu o presidente da Câmara Municipal de Óbidos.

Para o secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, “é impossível pensar em Óbidos sem pensar em recuperação do Património”. “Essa é uma tarefa do dia-a-dia”, sublinha o governante, garantindo que “Óbidos é, hoje, um farol, no nosso Oeste, que sempre brilhou e que, com esta obra, brilhará ainda mais”. Carlos Miguel acrescenta que “é essencial a recuperação do Aqueduto”, sendo “determinante o seu arranjo paisagístico para que o possamos ver e usufruir”. Quanto ao financiamento, o secretário de Estado diz que “ainda estamos no início”, mas que terá sempre de haver um encontro de prioridades entre a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, a Comunidade Intermunicipal do Oeste e a própria Câmara Municipal de Óbidos.

Dos Aquedutos mais antigos do País

Nesta cerimónia Pedro Inácio, do Museu da Água da EPAL, fez um retrato dos diversos Aquedutos que Portugal tem. O de Óbidos é um “dos mais antigos” do País, revelou, sublinhando que D. Catarina de Áustria foi “a primeira e única rainha a mandar fazer um Aqueduto em Portugal”, explicando ainda que este é “um dos Aquedutos, atualmente, com maior número de arcos, com um total de mais de 200 arcos sucessivos”.

Por seu lado, Dina Matias, arqueóloga do Município de Óbidos, felicitou “o executivo por se preocupar com o Património”, tendo feito um resumo quer da História, quer do estado do Aqueduto. “Tem um traçado algo sinuoso, tendencialmente de Sul para Norte, com 3.700 metros de comprimento”, explicou, acrescentando que “vai desde as três minas, a cerca de 130 metros de altitude, ao chafariz da Praça, a cerca de 60 metros de altitude, atingindo um desnível na ordem dos 70 metros”. “O Aqueduto é composto por troços superficiais e aéreos, consoante as características morfológicas do terreno e é na travessia dos vales e no planalto dos Arcos que apresenta maior monumentalidade”, disse.

Já Alexandre Costa, da empresa NCREP, que fez o relatório técnico preliminar de inspeção e diagnóstico estrutural, afirmou que “as intervenções vão dividir-se em três diferentes zonas”. Uma zona verde, que necessita de uma intervenção ligeira, que vai da Porta da Vila ao Vale da Água; uma zona amarela, que necessita de intervenções mais de detalhe, que se prolonga até ao campo de ténis; e, finalmente, uma zona 3, com intervenções de fundo, até às nascentes.

Recorde-se que o Aqueduto de Óbidos está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1962. Contudo, há 80 anos que o Aqueduto da Usseira não recebe qualquer intervenção de manutenção. Por essa razão, o Município de Óbidos, através do Serviço de Arqueologia, fez um levantamento sobre as condições desta estrutura e o resultado desse trabalho foi apresentado hoje, 25 de Outubro. Foi feita ainda uma caminhada, às 9h30, para que os participantes pudessem conhecer o Aqueduto e o seu estado de conservação.