“Vamos querer desconfinamento, mas com muita cautela”

Entrevista do presidente da Câmara Municipal à rádio de Óbidos

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“Ser autarca tem sempre as suas contingências. Se os desafios do passado eram difíceis, nesta fase, em particular, é muito mais difícil.” Foi desta forma que o presidente da Câmara Municipal de Óbidos começou a entrevista que deu dia 29 de Abril, ao final da tarde, à 91FM Rádio, a propósito da forma como é governar o concelho em plena pandemia. Humberto Marques disse mesmo que “estamos próximos de uma circunstância de quase guerra, mas com um adversário invisível.”

O autarca reconhece que “Óbidos não foi dos concelhos mais fustigados”, pois teve, até à data, apenas dois casos, um deles importado, e ambos já recuperados. No entanto, Humberto Marques explica que isto acontece porque tivemos uma população que agiu e também autoridades locais e de saúde que tomaram as medidas necessárias no tempo certo. “Estamos bem porque antecipámos muito”, diz, lembrando que “a Câmara Municipal de Óbidos retirou todos os colaboradores a partir do dia 13 de Março”. “Em três dias todos os colaboradores passaram a fazer teletrabalho e têm cumprido com aquilo que é o desígnio de serviço público”, sublinha.

Para além do apelo constante a que todos os que possam devem ficar em casa, o presidente da autarquia revelou nesta entrevista que têm, também, feito testes. “No domingo passado [26 de Abril], fizemos testes às equipas dos lares residenciais de todo o concelho, públicos e privados. Foram cerca de 150 testes e todos com resultado negativo”, revela.

E porque a economia parou durante bastante tempo, a Câmara Municipal de Óbidos tem avançado com uma série de medidas de apoio às famílias e empresas. “Temos vários programas para pessoas que estão em confinamento, porque são dos grupos de risco. Avançámos com 31 medidas, 24 das quais de apoio às famílias e às empresas. Estas medidas foram discutidas e acrescentadas num contexto regional, de 12 presidentes de Câmara, porque desta forma, juntos enquanto região, somos mais fortes e mais resilientes”, explica Humberto Marques. Os autarcas da região Oeste, através da OesteCIM, “fizeram também uma série de recomendações ao Governo, como medidas de apoio a fundo perdido aos empresários, nomeadamente para a área do Turismo”, revelou.

Para os próximos dias, o presidente da Câmara Municipal de Óbidos diz que vai “querer o desconfinamento, mas com muita cautela”. “Queremos defender as pessoas, as famílias e as empresas”, diz, insistindo que “é preciso muita prudência e, por isso, vamos pensar em medidas complementares de apoio”, para além daquelas já no terreno.

Apesar do futuro ser ainda incerto, Humberto Marques assegurou que, depois do cancelamento do Festival Internacional de Chocolate, agendado de 23 de Abril a 3 de Maio, também o Mercado Medieval de Óbidos, agendado para 16 de Julho a 2 de Agosto, será cancelado. “Tendo em conta o tipo de evento que é, não temos forma de cumprir, com rigor, as regras recomendadas pela Direcção-Geral da Saúde”, explicou, garantindo, no entanto, que a empresa municipal Óbidos Criativa, entidade responsável pela organização dos eventos, “pode estar até ao final do ano sem fazer eventos, sem que isso signifique falta de pagamentos”, porque teve, “desde sempre, uma gestão muito rigorosa”.

De qualquer forma, Humberto Marques diz que está “a aguardar o envio, por parte do Governo, do desenho do apoio às empresas municipais e câmaras municipais”, porque são entidades que têm, no terreno, gasto muito dinheiro devido à pandemia. O presidente da Câmara Municipal de Óbidos deu o exemplo de como esse apoio é necessário. “Só para os testes que fizemos aos colaboradores dos lares, no concelho, gastámos 11 mil euros num dia”, revelou. Neste capítulo, o autarca explicou ainda que, porque nem todos os alunos têm computador e acesso à internet, devido ao tele-ensino, a Câmara Municipal de Óbidos adquiriu 128 equipamentos e acessos à internet para fazer face a esta questão. “Numa situação normal, teriam custado 30 ou 40 mil euros, mas para respondermos com rapidez, e porque o mercado está em falta, tivemos de ir aos fornecedores com equipamentos disponíveis, com características diferentes, a um valor mais caro, ou seja, a rondar os 70 mil euros”.

Apesar dos contratempos e incertezas em relação ao futuro, o autarca adiantou que a situação no concelho está a ser monitorizada ao dia, estando todas as equipas políticas e técnicas no terreno para minimizar os impactos que a pandemia está a ter no concelho, na região, no País e no Mundo.

Entrevista 91 FM (facebook)
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